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  • MUNIZ DO ARRASTA-PE Voz

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Nascido na cidade de Macaparana, o cantor e compositor Muniz do Arrasta-Pé iniciou sua carreira artística muito cedo.

Aos nove anos de idade tentou estudar mas a pouca visão que lhe restava dificultou o seu ingresso na escola. Com quatro irmãos mais novos que também portavam a mesma deficiência, Muniz já se preocupava em ajudar sua família. Seus pais(Sr. Adélio e Sra. Eurides) não tratavam os seus cinco filhos (cegos) diferentemente dos que enxergavam, ao contrário ensinou-lhes a fazer os serviços da roça, bem como as tarefas domésticas.

Aos dez anos de idade Muniz já começava a perceber as dificuldades enfrentadas pelo seu pai para manter seus sete filhos, pois o mesmo também estava começando a perder sua capacidade de enxergar. Então pensou em uma maneira de ajudar o velho e seus irmãos. Foi assim que surgiu a idéia de aprender tocar instrumentos musicais e revelou ao seu genitor esta disposição.

Sem que o menino soubesse, Sr Adélio combinou com um amigo para trazer uma sanfona de 32 baixos. Logo após o amigo cumpriu o combinado. As cinco horas do dia 1 de junho de 1976, Muniz estava dormindo em uma rede, na sala de sua casa, quando acordou assustado (nunca havia escutado um instrumento de perto, apenas através do rádio). Levantou da rede correu para a cozinha e perguntou: "Mãe, o que é aquilo?" ela respondeu: "É uma sanfona que teu pai vai comprar pra tu!", na quele momento ele vibrou de alegria. O pai de Muniz trocou a sanfona em um relógio e um rádio que estava a muito tempo sem funcionar. Naquele dia Muniz lançou mão do instrumento e imediatamente, não aceitando as aulas do sanfoneiro que fez a troca com seu pai, começou a executá-lo sozinho. Com desejo tão grande de tocar que até ao anoitecer ainda nem sequer tinha almoçado. Um ano depois Muniz já executava as músicas de Luiz Gonzaga e outros artistas da época! Todavia, Muniz começou a pensar: "Já sei tocar alguma coisa, mas como poderei ajudar meu pai a nos sustentar?". Após, ter refletido muito, tomou uma decisão e resolveu falar com o velho pai dizendolhe: "Papai, já sei tocar alguma coisa, vou fazer um melê" (instrumento que foi substituído pelo Zabumba) para meu irmão Sávio me acompanhar e vou tocar na feira com ele, na intenção de ajudar o Sr nas despesas da casa". Quando seu pai escutou a proposta repreendeu-o com rigor: "De jeito nenhum! filho meu pedir esmolas…?! Pra mim é preferível morrer! todos de fome e cegos, mas tocar na feira não!"

Mas Muniz que é insistente por natureza, mesmo com a severidade do seu pai, não desistiu da idéia e foi contar o ocorrido a sua mãe que o deixou a vontade para tomar qualquer decisão. No sábado seguinte Muniz, aproveitando que seu pai estava na mata pegando lenha, chamou seu irmão, colocou o "melê" e a "sanfona" dentro do saco e foi para a feira de Pirauá. Sentou no meio fio, botou uma bacia entre ele e seu irmão e começou a tocar com seu irmão. Por volta das nove horas da manhã, o povo que se encontrava na feira do pequeno lugarejo estava todo em volta das duas crianças e a bacia cheia de dinheiro. Como as crianças eram muito pequenas, foram levadas por amigos, para cima de um banco de praça, com a intenção de serem vistos por todos. Algumas horas depois chega seu Adélio, pai dos meninos, e como Muniz havia desobedecido suas ordens, ele chegou quase a pendurá-lo pelas orelhas, com safona e tudo, dizendo: "Eu disse que não era para vir pedir esmolas?! O povo que estava assistindo as crianças caíram em cima dele dizen-do: "Eles não estão pedindo esmolas! você devia agradecê-los, pois esse é o trabalho que eles podem fazer. "Neste dia, no fim da feira, Muniz e seu irmão conseguiram ganhar noventa e sete contos de réis. Pagou dois contos por um lanche e com noventa e cinco restante, sua mãe comprou uma parelha de roupa para cada um dos sete filhos e o restante fez uma feira que deu para passar o mês inteiro. Com esse resultado, o pai dos pequenos artistas mudou de idéia e resolveu acompanhá-los em outras feiras do estado da Paraíba e parte de Pernambuco, foi aí que um outro irmão de Mun iz aprendeu tocar "Triângulo", formando assim um trio: Muniz na sanfona, Sávio no mêle e Nenêm no triângulo. O trio viajava, acompanhado por seu pai, durante meses sem voltar em casa. Apenas mandando notícias pelos seus vizinhos que iam encontrando nas feiras onde se apresentavam.

A vida não era fácil, dormiam na casa dos outros e na maioria das vezes terminavam a feira sem almoçar, com o objetivo de poupar o dinheiro que arrecadavam, que era para as despesa da casa. Até os dezoito anos a vida de Muniz e seus irmãos era essa, até quando desobedeceu o pai mais uma vez, indo morar na cidade de Macaparana, interior pernambucano, na casa do seu tio, onde conheceu a amiga Ângela, que lhe fez uma proposta de ir estudar no Instituto de cegos do Recife, hoje com o nome de Instituto Antônio Pessoa de Queiroz. Mas uma vez seu pai não concordou com a idéia dizendo: "Casa dos outros não tem o que dar! eu nunca ouvi dizer que cego pudesse estudar". Mas, Muniz sabendo do seu potencial, fez uma campanha na cidade conseguindo agasalhos, dinheiro, etc.

No dia 27 de setembro 1984, embarcou trazido pela amiga Ângela, sendo recebido pelo então diretor do Instituto Sr. Zacarias Pinheiro de Melo. Uma semana após, Muniz já sabia ler e escrever pelo sistema Braille, entusiasmado com sua inteligência e aconselhado por alguns professores, o diretor do instituto mandou buscar seus dois irmãos, no dia 15 de outubro do mesmo ano. os mesmos que o acompanhavam nas feiras do interior e assim começaram a tocar em clubes e festas particulares, Diferentemente de algum tempo atrás quando eram contratados. Em 04 deFevereiro de 1985, Muniz foi buscar as duas irmãs que também não enchergavam. Em 05 de Junho 1988, Muniz trouxe seus pais e suas duas irmãs mais novas para vir fixar residência no Recife, onde com ajuda de amigos, fizeram uma casa no Ibura, começando assim uma nova vida. Nessa altura dos acontecimentos, os cinco irmãos estavam estudando no referido Instituto, as primeiras séries do ensino fundamental, teoria musical e trabalhando. O trio já acalentava o sonho de gravar seu primeiro CD, mas não havia conseguido dinheiro através de empréstimo. Mas, em fim, conseguiram gravar o primeiro trabalho com tiragem de 1.000(mil) cópias. O trio havia recebido nome de: "Arrasta-pé" (nome dado pela professora Nilza).

No ano seguinte, o grupo fez muito sucesso na capital pernambucana e também no interior, fazendo shows nas melhores casas, se apresentando em rádios, televisão e sendo manchete nos três principais jornais do estado de pernambuco. O CD recebeu o título de "Rotina do Sertão", com doze faixas, das quais nove são de autoria do próprio Muniz. Em 2000, seu irmão Sávio, que já havia trocado o melê pelo zabumba e que cuidava da divulgação sendo empresário do grupo, resolveu separar-se dos seus irmãos e formor sua banda. Com essa perda, Muniz ficou um tanto atordoado e pensou até em desistir da carreira, mas seu irmão Nenêm, trianquista, começou a incentivá-lo a continuar buscando seu sonho de um dia fazer sucesso como artista. Muniz também recebeu apoio de seus amigos que o estimulavam dizendo: "Você tem talento e não pode deixar tudo a perder… Foi que Muniz decedio segui sua carreira "Solo", adotando o nome de "Muniz do Arrasta-Pé", partindo novamente para a luta com muita fé, trabalho e a determinação de sempre. Apesar do seu esforço e de sua confiança em Deus, sentiu muita resistência por boa parte da imprensa e por alguns clientes antigos do grupo. Mais uma vez conseguiu gravar um CD, o segundo da carreira e o primeiro "Solo". Daí as pessoas começaram a dar credibilidade e novamente volto a ocupar a memória dos fãs.

Atualmente Muniz faz shows em diversas casas de forró do estado, sempre acompanhado do seu irmão Nenêmm (triângulo) e Cristiano (zabumba) substituto de Sávio. Apesar de continuar com a forma-ção de trio, Muniz divulga seu trabalho como sendo carreira Solo e justifica: "O povo está acostumado a ouvir minhas músicas nos Shows e nas Rádios, através da interpretação de "Muniz do Arrasta-Pé". O título do seu segundo CD é "Amor e Raízes" Muniz ja estar preparamndo o seu terceiro disco. E este contém músicas de compositores pernambucanos como: Maciel Melo, Anchieta Dali, Xico Biserra e etc. Mas, precisa de sua ajuda. Mande-me um e-mail. Depois desta trajetória de luta incansável, Muniz agradece primeiramente a Deus e também ao povo que admira seu trabalho, comparecendo aos Shows e adquirindo seu CD, Provando que ele realmente é duro na queda, e está disposto a enfrentar a luta!.

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