Baba de CobraPeça Estranha1.488 plays
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    Peça Estranha

    Fernando Hipólide

    Levantei em tempo presente
    Que amiúde se desdobra em dois.
    Ajustei claro em minha mente
    O que não se deixa pra depois.
    Parei para ouvir do dia
    Sua música experimental.
    Gozei doce enquanto eu lia
    Fragmentos de explosão verbal.

    Avistei nuvens e foguetes
    De traçados quase angelicais.
    Desmontei um ou dois macetes
    Pra entender de coisas maquinais.
    Lambuzei a cara com sorvetes
    Entre exaltações sensoriais.
    Enfrentei pedras e porretes
    Como fossem fatos naturais.

    E eu meio que não faço caso,
    Tem mais do que eu vi em sombras de mil tensões,
    E ao meio nunca me reparto,
    Brincando de ler entranhas de mil canções.

    E eis-me aqui neste degredo
    De toda coerência,
    E aqui não há segredo,
    Só bruta experiência
    Eis aqui este degredo
    De toda coerência,
    E aqui não há segredo
    Nem visos de ciência

    Aplaudi vendo bem de perto
    A mosquinha azul em plena ação.
    Redigi breve manifesto
    Pela sua divinização.
    Caí na toca da aranha
    Me expandindo entre suas projeções.
    Pari essa peça estranha
    Martelada entre os meus botões.

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