A Boca MalditaO mundo de Tom9.333 plays
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    O mundo de Tom

    A Boca Maldita

    O sol se deita lentamente e no horizonte se esconde
    De um jeito diferente de ontem e anteontem
    E a lua cai, prossegue, parece infinita
    Cruzeiro do sul, cadente e três Marias

    De aparência romântica, solitário e triste
    Sigo em frente meu caminho sempre forte sem crise
    Pela estrada de desilusão, cheia de incerteza
    Estrada escura no silêncio, coberta de folhas secas

    Amo a noite, ela me deixa inquieto
    Ela é a dama de negro, carregando seus mistérios
    Minhas desilusões, meus sonhos, meus medos
    Meu delírio inconseqüente, aí Jão, sou desse jeito

    Nos meus rolês noturnos, contando com a sorte
    Observando tudo, enquanto todos dormem
    Eu vejo a vida como ela é, nua e crua
    vida sem maquiagem como eu, vida pura

    Treinado e preparado, tipo gladiador
    Estamos juntos? Não sei não, depende de quem for
    Porque tapinha nas costas, sorriso e tudo aquilo
    São as armas poderosas do inimigo invisível

    Que na surdina fica só crescendo o zóio
    Criticando meus passos, me enchendo de ódio
    E diz que eu sou cachaceiro, um herege maloqueiro
    E que pro mundo do rap sou um péssimo exemplo

    Truta, a vida não é fácil de entender
    O que é bom pra mim, talvez não seja pra você
    Exemplo? Eu nunca fui e não vou ser
    Sou verdadeiro demais, exemplo que seja você

    Eu sou o bem, sou o mal, sou a besta, o anjo
    Sempre puro e verdadeiro, igual criança chorando
    Um guerrilheiro sonhador, que não deixa pista
    Um livre pensador, buscador, vivo a vida

    POIS ENTRE A LUA E O SOL, A ME ILUMINAR
    ENTRE COPOS DE CERVEJA, PRAS IDÉIAS CLAREAR
    ENTRE MULHERES JÁ COMIDAS, QUERENDO ME DAR
    ENTRE A CRUZ E A ESPADA, QUERENDO ME TESTAR
    A VIDA SEGUE, SEGUE, FEIA OU BELA
    E EU CONTRA A MARÉ, FAZENDO PÁRTE DELA
    A VIDA SEGUE, SEGUE, FEIA OU BELA
    E EU CONTRA A MARÉ, FAZENDO PÁRTE DELA

    Poder, ganância, crucificações, é o sistema
    Que domina a sua mente, o monstro de cem cabeças
    Ele te cega, te ilude, te hipnotiza
    Te coloca pra dormir, depois rouba a sua vida

    Quantas vezes pensando, procuro entender
    Me faço várias perguntas e não consigo responder
    Estou confuso comigo, com todos, com tudo
    Atacado com a podridão que existe nesse mundo

    Mundo que me espera com o seu jardim
    Onde os ventos sopram com o cheiro de jasmim
    Pois é vagabundo, o mundo é belo
    O que estraga é o homem, junto com seus castelos

    Peguei um arco íris e dele fiz minha ponte
    De alguns homens me aproximei e passei adiante
    Tapei o meu nariz e passei por suas verdades
    Pelo o seu ódio, egoísmo e sua vaidade

    Voei para o futuro como ave de rapina
    Dominei meus monstros, decifrei enigmas
    Mergulhei em abismos, em busca de verdades
    Verdades que existem entre eu e a humanidade

    Foi quando eu quis parar de lavar meu sujo olhar
    Pois ali eu decidi que nunca mais iria chorar
    Quebrei as regras escritas em velhas tábuas
    Vi seus castelos caírem enquanto o vento soprava

    Eu sou a boca maldita que não convém aos seus ouvidos
    Troco o certo e o incerto, pelo que nunca foi dito
    Minha cabeça, fonte do mais belo vinho
    Vive cercada e rodeada por cálices vazios

    Quero o desconhecido, quero além do infinito
    Não sigo suas pegadas, crio eu novos caminhos
    Traço o meu destino e só pra mim ele é bom
    Abstrato e diferente eis o mundo de Tom

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    Release


    SÃO PAULO, 8 DE AGOSTO DE 2061


    Anotações do capítulo primeiro do livro: ? Mitos, lendas e o poder de mudança.?


    Por entre os becos escuros e vielas daquela região, a noite nada se via a não ser os mortos que transitavam cada um em busca de suas verdades, mentiras, vícios, aventuras inimagináveis, sonhos que começavam com as primeiras quantidades ingeridas, fumadas e cheiradas de veneno lúdico e real ao mesmo tempo, o reino da mentira e da verdade nua e crua, do tudo momentâneo e do nada, do bem e do mal.

    Na penumbra destes becos e vielas, ele observava a tudo e a todos, seus gestos, seus traços, suas forças e fraquezas, suas convicções e ilusões com respeito a salvação eterna do pós mundo, convicções estas que talvez fossem ...

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