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Alexandre Azeredo

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Filho Da Pátria

Fabio Brazza

Eu sou o que sobrou da Amazônia a Colônia despedaçada Sou aquilo que resta da floresta desmatada O ouro e o troco, o tudo e o nada O cafuzo e o caboclo eu sou um pouco de cada Eu sou as mãos na enxada e os pés na lavoura A herança deixada pela exploração devastadora Terra abençoada pelo plantio Banhada de rios, matas no cio, negros nagôs em navios Eu sou caravelas em caravanas com caras maus Caras-pálidas com carabinas trazendo caos A senzala o quilombo e o palácio Cabral, Dom Pedro e José Bonifacio Sou o senhor de engenho e a não reforma agrária Aquilo que eu tenho na minha conta bancaria O fracasso das capitanias hereditárias Garrincha entortando zagueiros dentro da área Um pedaço do tratado de Tordesilhas A mão que tira, mas também sou a que compartilha Eu sou a força dessa gente Que mesmo sem perna ainda tenta caminhar pra frente Refrão- Eu sou Brasil, eu sou a pátria mãe gentil, a pátria que te pariu que te pariu Eu sou o samba a mulata o quadril, Eu sou o preço da prata tão vil, Eu sou aquele que mata de terno e gravata e sem precisar de um fuzil Eu sou a educação por um fio, eu sou o inverno sem frio Eu sou, eu sou brasileiro um povo herdeiro daquele 22 de abril Eu sou um erro que não se concerta uma descoberta lucrativa A ferida aberta em carne viva Sou Patativa e Tarsila do Amaral Mais de 500 anos de um problema social A sina da pele preta, perneta ou Pelé? Ou apelar pra escopeta pra se ter o que quer Pra não terminar na sarjeta como um qualquer Ou dentro duma gaveta cuma etiqueta no pé Sou um legado infeliz, sou Machado de Assis Sou a locomotriz dessa loca matriz Descentes Zulus e Zumbis, Meretriz Com a mania de achar que aqui é Paris e zombar da raiz, dizimar Kaiowa Guaranis, estão sós Kaiapós, Kariris, Fica a atroz cicatriz, nem FUNAI nem Green Peace Oh meu pai o que eu fiz, perdoai meu país Vai sem paz diretriz, aqui jaz o juiz Vai por cima das leis debaixo do nariz Meu Brasil, veras que um filho teu não foge a luta Da terra de ninguém, eu sou mais um filho da...Pátria Refrão- Eu sou Brasil, eu sou a pátria mãe gentil, a pátria que te pariu que te pariu Eu sou a desigualdade hostil, eu sou a mortalidade infantil Eu sou a incompetência, a inadimplência desobediência civil Eu sou de fato um retrato sombrio, Eu sou um preto de prato vazio Eu sou a intolerância a ignorância promessa que não se cumpriu

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comentários (3)

ManoÁla CEARENSE

Som muito inteligente bom rimador e boa ideias Dá um salve no meu tb né chegado.

Emerson Macena

Pesado o som.

Filosofia de Rua

salve muleke!!!